XXXVII

não quero lhe falar meu grande amor
das coisas que hoje nada digo
e frustrada me calo
porque amo a vida apaixonadamente
bem mais que a ti, reles estalo

a cerveja quente que fica no copo
vai pro ralo, e a gente paga mesmo assim
adeus, enfim, e quando então
mais hora, menos hora uma saudade
daquelas me tragar a vida
terei sentido sem sentidos
o que valeu pra mim
tua insensatez

 

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XXIII

a minha chama brilha por inércia
conheço o que não há pra conhecer
nem dizer nem viver nem desejar
só o sabe quem o vive e reconhece

o meu caminho é um ponto cheio de esferas
a minha rota é sempre em colisão
quase todo dia me perguntam (pergunto?): “por quê?”
e me limito a retrucar: “por que não?”