XXXVII

não quero lhe falar meu grande amor
das coisas que hoje nada digo
e frustrada me calo
porque amo a vida apaixonadamente
bem mais que a ti, reles estalo

a cerveja quente que fica no copo
vai pro ralo, e a gente paga mesmo assim
adeus, enfim, e quando então
mais hora, menos hora uma saudade
daquelas me tragar a vida
terei sentido sem sentidos
o que valeu pra mim
tua insensatez

 

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XXIV

faltam poemas
sim, faltam poemas que me digam
que me digam, eu disse,
que me digam a mim quem sou
quem venho sussurrando ser
quem me não faço a cada instante
faltam poemas, falta tudo
a palavra e o tempo se abraçaram
e se esqueceram de gerar
dormiram, não copularam, não gozaram
ainda não se descobriram em si mesmos
ainda não dançaram os olhos mágicos
faltam poemas, falto-me
contemplo um sol sem luz
a noite inteira