XXVIII

morreu a poesia
oh, que tristeza
morreu de inanição
tão deprimida
mal sabendo morreu
como gozar a vida

velaram-na muitos
tão inocente no diminuto
caixãozinho branco
de flores tantas
de todas as cores
amargas flores

choravam-na todos e todas
mal me aguentando retirei-me a um canto
meu sol congelara
e eis que quando iam fechar a tampa
a menininha rindo se levanta
e olha em volta, a danada: “pegadinha!”

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XXV

o tempo é uma bolinha doida
gargalhando de língua pra fora
fazendo estripulia
e zombando com caretas
dos caretas

não, não aquele tempo
o de todo mundo, de agora
de antes e depois e certo marcado
preciso irritante pontual esquizóide
o meu cá dentro, o meu desembrulhável
que atiro pra cima e pra baixo
pro lado em que estiver virada
na cara de quem me atazana
(vou morder sua orelha!)

a minha bolinha sacaninha
doida pra quicar em todo lado
safadinha
mesmo dormindo gira
nunca para